Prêmio BJR de Melhor Parecer 2021

A Brazilian Journalism Research (BJR), periódico editado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), inicia neste ano um projeto de valorização do trabalho dos pareceristas que auxiliam na construção coletiva do conhecimento. Para tal, passa a atribuir um prêmio anual ao melhor parecer emitido para artigos submetidos à revista.

Cláudia Lago, professora da Universidade de São Paulo e editora da BJR, considera que a revista “tem um compromisso com o estabelecimento de boas práticas editoriais. A questão dos pareceres, para nós, sempre foi muito importante, especialmente porque são os pareceres que aumentam a qualidade dos textos que chegam à BJR”.

O desafio é estabelecer boas práticas ao mesmo tempo em que o trabalho dos pareceristas é estimulado. Nesse sentido, Lago observa que premiar as pessoas que realmente levam a sério esse trabalho, que o fazem com generosidade, é uma boa estratégia. “A BJR não apenas trabalha para a sua própria adequação enquanto uma publicação de qualidade, mas também busca estimular dentro do nosso campo esse tipo de prática”, finaliza a editora.

A seleção do melhor parecer de 2021 foi realizada por um júri, composto por três professores, que avaliaram às cegas os pareceres. Os critérios de seleção foram: a) rigor da avaliação: apego às normas e aos argumentos; b) profundidade da avaliação: interação com o texto e leitura criteriosa dos argumentos do artigo; e c) contribuição aos artigos: contribuição à reflexão examinando pontos fracos, propondo perspectivas complementares e/ou alternativas e comentando o método e a análise.

Julián Durazo Herrmann, da Université du Québec à Montréal e membro da comissão de avaliação, destaca que “o prêmio é importante porque ele ajuda a repensarmos a avaliação de artigos científicos pelos pares como um diálogo e não mais como um obstáculo a ser transposto. A BJR está sendo muito inovadora com isso”.

Nesta primeira edição, Estrela Serrano, do Instituto de Comunicação da Nova (ICNova), foi reconhecida pelo prêmio. A pesquisadora recebeu a notícia com orgulho, especialmente pelo “prestígio da BJR e pelo fato de se tratar de um júri independente e de um método (avaliação às cegas) que merece toda a credibilidade”, declara.

Sobre o ofício do parecerista, Serrano observa que se trata de “um papel fundamental na credibilização de uma revista acadêmica, constituindo por um lado uma garantia de qualidade para a revista e, por outro, uma responsabilidade para o próprio avaliador; uma vez que lhe é solicitado que avalie o trabalho de alguém que é seu par”.

Por fim, a pesquisadora define o que não pode faltar em um parecer científico: “Um parecer deve ser fundamentado e basear-se em regras e critérios científicos. Deve ser explícito quanto aos erros e lacunas que eventualmente encontre. Desde logo, o próprio parecer deve obedecer a uma metodologia que, aliás, consta nas regras da própria revista. Um parecer não é a expressão da opinião do parecerista, mas sim uma exposição sobre o cumprimento ou incumprimento das regras e das metodologias em que se baseia a produção científica, tais como: os objetivos do artigo, a metodologia, o enquadramento teórico (bibliografia), o ‘caso’ ou a ‘descoberta’ que justificam a sua publicação”.

O prêmio será anunciado durante o 19º SBPJor, junto com a cerimônia do Prêmio Adelmo Genro Filho (PGAF). A transmissão pode ser assistida ao vivo no canal da SBPJor no Youtube.