OBSERVING “JOURNALISM IN CRISIS” THROUGH A FEMINIST LENS
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Keywords

Structural transformations in journalism
Feminist studies
Journalism governance crisis

How to Cite

Kikuti Dancosky, A. (2025). OBSERVING “JOURNALISM IN CRISIS” THROUGH A FEMINIST LENS. Brazilian Journalism Research, 21(3), e1785. https://doi.org/10.25200/BJR.v21n3.2025.1785

Abstract

ABSTRACT – One issue that often goes unaddressed in studies on the “contemporary crisis of journalism”, although fundamental to understanding the problem, is the structural role of gender inequalities. In this article, I propose a reflection on the crisis through the lens of feminist epistemologies. Being essentially anti-capitalist and advocates of situated knowledge, these epistemologies can be powerful tools for interpreting certain transformations to contemporary journalism, particularly in the world of professional journalism. In the first part of the article, I identify and look at feminist authors and their critiques of the hegemonic paradigm of knowledge production and the neoliberal ideology, which is primarily responsible for recent productive restructurings in the labor world overall, and among journalists in particular. I then use these critiques to support a feminist interpretation of the journalism crisis, drawing on findings from two recent studies on the profession in Brazil.

RESUMO – Há uma questão que é pouco observada nos estudos sobre a “crise contemporânea do jornalismo” e, no entanto, parece fundamental para entender o problema: o papel estruturante das desigualdades de gênero. Neste artigo, proponho uma reflexão sobre a crise a partir das lentes de epistemologias feministas. Essencialmente anticapitalistas e defensoras de saberes situados, essas epistemologias podem ser potentes para interpretar determinadas transformações enfrentadas pelo jornalismo atual, sobretudo no mundo do trabalho de jornalistas. Na primeira parte do artigo, procuro situar algumas autoras feministas nas críticas ao paradigma hegemônico de construção de conhecimento e à ideologia neoliberal, principal responsável pelas recentes reestruturações produtivas observadas no mundo do trabalho em geral, e no dos jornalistas em particular. Na sequência, utilizo tais críticas para subsidiar uma interpretação feminista acerca da crise do jornalismo, mobilizando resultados de duas pesquisas recentes sobre a profissão no Brasil.

RESUMEN – Hay una cuestión que se observa poco en los estudios sobre la “crisis contemporánea del periodismo” y que, sin embargo, parece fundamental para entender el problema: el papel estructurador de las desigualdades de género. En este artículo, propongo una reflexión sobre la crisis a través de la lente de las epistemologías feministas. Esencialmente anticapitalistas y defensoras del conocimiento situado, estas epistemologías pueden ser poderosas para interpretar ciertas transformaciones a las que se enfrenta el periodismo actual, especialmente en el mundo del trabajo. En la primera parte del artículo, intento situar a algunas autoras feministas en sus críticas al paradigma hegemónico de construcción del conocimiento y a la ideología neoliberal, principal responsable de la reciente reestructuración productiva observada en el mundo del trabajo en general, y en el de los periodistas en particular. A continuación, utilizo estas críticas para apoyar una interpretación feminista de la crisis del periodismo, movilizando los resultados de dos investigaciones recientes sobre la profesión en Brasil.

https://doi.org/10.25200/BJR.v21n3.2025.1785
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