Resumen
RESUMEN – El artículo está dedicado a una lectura crítica del tratamiento del periodismo como una práctica constituida por una comunidad interpretativa única, tal como lo defienden Barbie Zelizer y Nelson Traquina. A partir de una investigación sobre las implicaciones de utilizar la concepción original de Stanley Fish sobre las comunidades interpretativas en la investigación en el campo del periodismo, el artículo revisa los términos de su propuesta para luego identificar pistas para distinguir múltiples comunidades interpretativas en el periodismo, centrándose en las distinciones epistémicas del periodismo literario y su propia diversidad de comunidades interpretativas. Se concluye que la noción plural de comunidades interpretativas de periodistas es útil para comprender prácticas periodísticas que presentan divergencias o rupturas en relación a las nociones hegemónicas del periodismo naturalizadas por la máscara de la objetividad.
ABSTRACT – This paper focuses on a critical reading of the concept of journalism as a field constituted by a single interpretive community, as proposed by Barbie Zelizer and Nelson Traquina. By pondering the implications of using Stanley Fish’s original notion of interpretive communities in Journalism Studies, the article revisits the terms of his proposition and then offers clues for identifying a multitude of interpretive communities in journalism. Then, we focus on the epistemic singularities of literary journalism and its own diversity of interpretive communities. We conclude that the notion of diversity in interpretive communities of journalists is useful for understanding journalism practices that are divergent or even disruptive in relation to hegemonic notions of journalism that are assumed to be natural under the perspective of objectivity.
RESUMO – O artigo se dedica a uma leitura crítica do tratamento do jornalismo enquanto prática constituída por uma comunidade interpretativa única, conforme defendido por Barbie Zelizer e Nelson Traquina. A partir de uma indagação sobre as implicações do uso da concepção original de Stanley Fish em torno da noção de comunidades interpretativas em pesquisas no campo do jornalismo, o trabalho revisita os termos de sua proposição para em seguida identificar pistas para a distinção de múltiplas comunidades interpretativas no jornalismo, detendo-se sobre as distinções epistêmicas do jornalismo literário e sua própria diversidade de comunidades interpretativas. Conclui-se que a noção plural de comunidades interpretativas de jornalistas é útil na compreensão de práticas jornalísticas que apresentam divergências ou rupturas em relação a noções hegemônicas de jornalismo naturalizadas pela máscara da objetividade.
Citas
Arruda, R. F. (2015). Fait divers, jornalismo na internet e irrelevância: estudo de notícias sobre um vestido [monografia de graduação, Centro Universitário de Brasília]. Repositório Institucional CEUB.
Assis, F. (2015). As duas faces de uma mesma prática: relações possíveis entre jornalismo diversional e jornalismo literário. Conexão – Comunicação e Cultura, 14(27), 31-36. Retrieved from https://sou.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/view/3109
Bak, J. S. (2011). Introduction. In J. S. Bak & B. Reynolds (Eds.), Literary Journalism Across the Globe (pp. 1-20). University of Massachussetts Press.
Bakhtin, M. (1986). Speech Genres and Other Late Essays. University of Texas Press.
Benetti, M. (2020). Os leitores como comunidade discursiva. Estudos em Jornalismo e Mídia, 17(1), 182-193. DOI: 10.5007/1984-6924.2020v17n1p182
Boni, K. (2021). Ganbare! Workshops on Dying. Open Letter.
Carvalho, P. H. V., & Belda, F. R. (2017). Multiparcialidade, dialogia e cultura participativa como reação à pós-verdade: uma abordagem discursiva sobre o jornalismo. Culturas Midiáticas, 10(18), 230–245. DOI: 10.22478/ufpb.1983-5930.2017v10n1.35045
Castro, J. C. L. (2019). Da lógica editorial à lógica algorítimica da notícia. Conexão – Comunicação e Cultura, 18(36), 36-56. Retrieved from https://sou.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/view/9481
Cosson, R. (2007). Fronteiras contaminadas. Literatura como jornalismo e jornalismo como literatura no Brasil dos anos 70. Editora Universidade de Brasília.
Eason, D. (1990). The New Journalism and the Image-World. In N. Sims (Ed.), Literary Journalism in the Twentieth Century (pp. 191-205). Oxford University Press.
Eberwein, T. (2013). Literarischer Journalismus. Theorie – Traditionen – Gegenwart. Herbert von Halem Verlag.
Eco, U. (2020). Lector in fabula. Perspectiva.
Fish, S. (1980). Is There a Text in This Class? The Authority of Interpretive Communities. Harvard University Press.
Genro Filho, A. (2012). O Segredo da Pirâmide. Insular.
Gomis, L. (1991). Teoría del periodismo: como se forma el presente. Paidós.
Gomis, L. (2004). Os interessados produzem e fornecem os fatos. Estudos em Jornalismo e Mídia, 1(1), 102–117. Retrieved from https://periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo/article/view/1901
Hall, S., Chritcher, C., Jefferson, T., Clarke, J., & Roberts, B. (2016). A produção social das notícias: os mugging nos media. In N. Traquina (Ed.), Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias” (224 – 248). Insular.
Hartsock, J. C. (2000). A History of American Literary Journalism. University of Massachusetts Press.
Hartsock, J. C. (2015). Literary Journalism and the Aesthetics of Experience. University of Massachusetts Press.
Henriques, R. S. P. (2018). O problema da objetividade jornalística: duas perspectivas. Griot, 17(1), 256–268. DOI: 10.31977/grirfi.v17i1.796
Henriques, R. S. P. (2019). Realismo, perspectivismo e a questão da objetividade jornalística. Princípios, 26(50), 335–355. DOI: 10.21680/1983-2109.2019v26n50ID16241
Iser, W. (1996). O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. Editora 34.
Joncew, C. C. (2005). A participação das fontes formais na qualificação da noticia [doctoral dissertation, Universidade Federal de Minas Gerais]. Periódicos UFMG.
Krall, H. (2005). The Woman from Hamburg and other true stories. Other Press.
Kuhn, T. S. (2006). A estrutura das revoluções científicas (9th ed.). Perspectiva.
Latour, B. (2000). Ciência em Ação. Editora Unesp.
Lehrman, S. (2008). Cops, Sports and Schools: How the News Media Frames Coverage of Genetics and Race. In B. A. Koenig, S. S. Lee & S. S. Richardson (Eds.), Revisiting Race in a Genomic Age (pp. 285-303). Rutgers University Press.
Leite, M. (2025). A ciência encantada de Jurema. Fósforo.
Martí-Danés, A., & Sorribes, C. P. (2025). Evolución, retos y potencialidades del o de la influencer como intermediario de la comunicación política. In S. C. Heymann & R. Besalú (Eds.), Influencers y comunicación política. Rasgos, desafíos e impactor social de un nuevo ecosistema comunicativo (pp. 15-27). Editorial UOC.
Martinez, M. (2016). Jornalismo literário: tradição e inovação. Insular.
Miranda, G. V. (2021). Desafiando a desertificação da mídia: o jornalismo hiperlocal como instrumento de aproximação informativa em contraste aos desertos de notícia na Região Administrativa de Bauru [doctoral dissertation, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho]. Repositório Institucional UNESP.
Moraes, F. (2022). A pauta é uma arma de combate. Arquipélago.
Passos, M. Y. (2017). De fontes a personagens: definidores do real no jornalismo literário. In D. Soster & F. Piccinin (Eds.), Narrativas midiáticas contemporâneas: perspectivas epistemológicas (pp. 86-97). Catarse
Passos, M. Y., & Marchetto, A. (2020). Voices from the East: Svetlana Alexievich’s and Hanna Krall’s Literary Journalisms. Recherches en Communication, (51), 51–68. Retrieved from https://ojs.uclouvain.be/index.php/rec/article/view/58543/54643
Parry, R. L. (2017). Ghosts of the Tsunami: Death and Life in Japan’s Disaster Zone. Jonathan Cape.
Pauly, J. (1990). The Politics of New Journalism. In N. Sims (Ed.), Literary Journalism in the Twentieth Century (pp. 191-205). Oxford University Press.
Portari, R. D. L. (2020). O entretenimento como notícia no jornalismo popular. In A. Sens, C. Assis, J. Xavier, M. Esperidião, K. Miguel, S. Ruiz & S. Gadini (Eds.). Cidadania (pp. 71-94). Ria Editorial.
Queirós, F. A. T. (2017). Entre arestas e interditos: o Jornalismo Literário como dupla ruptura epistemológica. Vozes e Diálogo, 16(1), 177-192. Retrieved from https://periodicos.univali.br/index.php/vd/issue/view/419
Ritter, E. (2018). Jornalismo Gonzo: medo, delírio, mentiras sinceras e outras verdades. Insular.
Rodarte, A. P. V. S. T. (2025). O pensar-fazer das jornalistas argentinas e brasileiras: os significados e percepções acerca do jornalismo feminista [doctoral dissertation, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho]. Repositório Institucional UNESP.
Schmitz, A. A. (2011). Fontes de Notícias: ações e estratégias das fontes no jornalismo. Combook.
Schramm, L. (2006). Comunidades interpretativas e estudos de recepção: das utilidades e inconveniências de um conceito. In N. Jacks & M. C. Jacob (Eds.), Mídia e recepção: televisão, cinema e publicidade (pp. 12-31). Edufba.
Silva, M. P. (2017). Apontamentos sobre a contribuição da sociologia das formas de Franco Moretti para os estudos em jornalismo. Matrizes, 11(2), 207–227. DOI: 10.11606/issn.1982-8160.v11i2p207-227
Silva, M. P. (2014). Significância social como dimensão da noticiabilidade. In M. L. Fernandes, G. Silva & M. P. Silva (Eds), Critérios de noticiabilidade – problemas conceituais e aplicações (pp. 115 – 135). Insular.
Silva, M. P., Mourão, R. R., Vos, T. P., Antolini, M. C., & Neuls, G. S. (2025). News Characteristics, Newsworthiness and Secondary Gatekeeping in Brazil: Influences of Right-Wing Authoritarianism. Digital Journalism, online first, 1–20. DOI: 10.1080/21670811.2025.2558000
Sims, N. (2007). True Stories: a century of literary journalism. Northwestern University Press.
Sontag, S. (2020). Contra a interpretação e outros ensaios. Companhia das Letras.
Tavares, C. Q. (2020). A “expectativa de audiência” como valor-notícia: uma análise a partir da experiência dos jornalistas da Gazeta do Povo. Estudios sobre el Mensaje Periodístico, 26(3), 1145-1155. DOI: 10.5209/esmp.65342
Traquina, N. (2013). Teorias do Jornalismo. A tribo jornalística: uma comunidade interpretativa transnacional (3rd ed.). Insular.
Tuchman, G. (2016). A objetividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objetividade dos jornalistas. In N. Traquina (Ed), Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias” (74 – 90). Insular.
Underwood, D. (2013). The Undeclared War Between Journalism and Fiction: Journalists as Genre Benders in Literary History. Palgrave MacMillan.
Veiga da Silva, M. (2014). Masculino, o gênero do jornalismo: modos de produção das notícias. Insular.
Veiga da Silva, M., & Moraes, F. (2021). Onde está Ruanda no mapa? Decolonialidade, subjetividade e o racismo epistêmico do jornalismo. In A. Timóteo, F. Mendes & W. Silva (Eds.), Pesquisa em comunicação: jornalismo, raça e gênero (pp. 94-109). Nepan.
Veiga da Silva, M., & Marocco, B. (2018 ). O feminino no “livro de repórter”: uma mirada epistemológica de gênero sobre as práticas jornalísticas. Brazilian Journalism Research, 14(1), 30–55. DOI: 10.25200/BJR.v14n1.2018.1029
Ventura, M. S., & Abib, T. (2020a). Identidade profissional, tribo jornalística e dinâmicas divergentes de produção noticiosa: a narrativa de carreteras secundarias de Bru Rovira. Intexto, (50), 263-279. DOI: 10.19132/1807-8583202050.263-279
Ventura, M. S., & Abib, T. (2020b). A reconfiguração do (des)acontecimento jornalístico em vias de midiatização. Animus, 19(39), 128–142. DOI: 10.5902/2175497737806
Voloshinov, V. (1973). Marxism and the Philosophy of Language. Seminar Press.
Wiktorowska, A. K. (2018). Literary Journalism as a Discipline in Poland: before and after Kapuściński. Brazilian Journalism Research, 14(3), 628-653. DOI: 10.25200/BJR.v14n3.2018.1133
Wolfe, T. (2005). Radical chique e o Novo Jornalismo. Companhia das Letras.
Wu, H. D. (2006). Systemic Determinants of International News Coverage: A Comparison of 38 Countries. Journal of Communication, 50(2), 110-130. DOI: 10.1111/j.1460-2466.2000.tb02844.x
Yang, J. (2003). Framing the NATO Air Strikes on Kosovo Across Countries. Gazette: the International Journal for Communication Studies, 65(3), 231-249. DOI: 10.1177/0016549203065003002
Zelizer, B. (1993). Journalists as Interpretive Communities. Critical Studies in Mass Communication, 10(3), 219-237. DOI: 10.1080/15295039309366865

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
Derechos de autor 2026 Brazilian journalism research
